A #SalemBrasileira sendo evidenciada.

04/01/2019

Um dia estava saindo de um café na Rua do Caga-Osso na parte velha da capital maranhense. São Luis de França é a cidade que os franceses deixaram para os mestiços portugueses e indígenas, carrega uma herança mágica e obscura de práticas de bruxarias e feitiços. Quando criança, ouvia de meus avós as histórias de Ana Jansen, e de outras bruxas que se integravam à este lugar perdido entre os sertões e a floresta amazônica. Muitas delas fugiam ou eram degredadas para a Amazônia portuguesa, e juntaram ao caldo mágico indígena autóctone e africana, vinda dos povos negros escravizados pela lógica mercantilista.

Porém, caminhando pela capital, sai da Rua Quebra-Bunda e fui em direção à Rua dos Afogados e lá vi uma loja que se intitulava de "A Wicca Maranhense". Interessante, porém, nada de novo e diferente de outras lojas do gênero que vi em outras capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. A atendente veio a mim, e me perguntou se algo me interessaria. Com educação, perguntei sobre os "mantras da língua franca",... ela não soube me responder. Agradeci, e sai com a minha polidez característica, e cem metros depois uma outra moça me chamou e me pegou pelo ombro.

"Você é um bruxo?! Como você sabe sobre os 'mantras'? Você é daquela terra maldita de 'Codó'?"

O susto foi imenso. Não sei se pela abordagem grosseira ou pela alcunha de 'maldita' proferida por aquela moça com sotaque catarinense. 'Codó' é uma cidade interiorana que sempre povoou os meus pensamentos. Uma tia. muito querida minha, que me auxiliou na juventude, sempre era a vítima costumaz de brincadeiras que fazia sobre a sua cidade natal.

Codó é uma cidade simples. Costumeira! Porém, a mostra, tem uma particularidade,...

A cada esquina há um terreiro, uma tenda, uma casa de bruxos, feitiços e magia. Onde a 'wicca européia' se mescla com os rituais indígenas, com o conhecimento alquímico árabe e com a magia africana. Prefiro contactar-me com as chamadas 'sábias', bruxas que detém o conhecimento de bruxaria que integra as três matrizes que conformaram o nosso povo, a nossa nação desde Pombal. As mesmas mesclam o que há de mais forte entre estas três magias matrizes, que veio junto com as bruxas degredadas de Portugal ou das 'ians' escravizadas da África, que se juntaram aos conhecimentos místicos da pajelança tupi e tupinambá na Amazônia portuguesa.

Respondi a dona da loja, seco,...

"Sim sou! E a verdadeira bruxaria deste país é lá! Estás a perder seu tempo aqui!"

Duas semanas depois a tal loja já estava fechada. Bom, se queres comprar uma mercadoria que seja um ato de bruxaria. 

"Vá a Codó!"

Mas, a mercadoria precisa ser achada. Não é só chegar na cidade e perguntar. Se você fizer isto, apanha dos locais. Há enganadores que se fazem de detentores da magia, mas verdadeiramente há bruxos, xamãs, feiticeiros, magos, pai e mães-de-santo, e até os que se intitulam 'druídas-do-sertão',... não importa, mas a verdadeira bruxaria estão nas mãos das 'sábias', e este conto que foi uma homenagem a uma delas, em que usei uma personagem de nome hipotético, porém verdadeira. Tive o prazer de conhecer uma delas, e deste conto, a minha homenagem.

Venho com este conto inédito que coloca está minha terra sanguínea no seu lugar de fato. Não só a cidade de Codó, como todo Maranhão, como nossa Salém Brasileira. Autêntica, pois tem e é conformada nas três matrizes que gerou o nosso povo e nosso país. A verdadeira bruxaria e magia brasileira se encontra na minha terra materna. E está é a minha homenagem a ela. O conto fará parte da Antologia #CarpeNoctem da #EditoraIlluminare, que será lançado em Belo Horizonte- MG. AGUARDEM!


E se você pensa em ir para 'Codó'? Pensa bem! Você pode ter muito mais o que deseja,... ou não! É o quintal de anjos e demônios! Luzes e sombras!