Educação 3.0

04/12/2018

Desde quando surgiu o primeiro "mainframe", com seus imensos discos magnéticos que armazenam dados, ocupavam grandes espaços e precisavam de cuidados especiais sob a responsabilidade de agências ligadas às forças armadas em tempos de Guerra Fria[1], nunca se pensava de que a educação em si teria alguma relação com o incremento tecnológico - com ênfase da microinformática - em menos de três décadas que se passaram.




A tela do computador esverdeada, cujo os desenhos eram feitos por letras e caracteres impressos pelas máquinas matriciais de altos decibéis. A Internet em si, como concepção da rede mundial, onde o ser humano, dependendo do status de seu acesso, pode tomar para si o acontecimento do outro. Antes, qualquer ocorrência no outro lado do mundo chegava depois de semanas; hoje, em segundos. Com o fenômeno da globalização, quem possui dados e maior rapidez para dissemina-la a seu favor, está no cume da pirâmide que determina o poder geopolítico mundial. Territórios são conquistados e conformam países centrais em mantenedores deste sistema, enquanto aqueles que se situam na periferia como reservatórios de mão de obra barata e de matéria prima.

A educação teve seu upgrade por conta da formatação de uma rede mundial, onde qualquer pessoa pode cursar uma graduação, fazer uma vídeo-conferência em tempo real, além de encurtar as distâncias em termos de informações e dados compartilhados. A "grande nuvem", ao mesmo tempo não é território de ninguém, e ao mesmo tempo possui uma vigilância intensa por conta das agências multilaterais vinculadas aos governos dos países centrais[1]. Através de um contexto solidário[2] - em perspectiva durkemiana - vários marcos civis, em forma de lei, foram implementados em países como Brasil, como forma não só de controlar, mas de regulamentar a vida dos usuários na Internet, baseado não apenas na boa convivência na rede, mas banindo e punindo práticas hediondas como pedofilia, difamações e calúnias com outrem; práticas estão condenáveis na maioria dos países, salvo exceções.[3]

Em menos de duas décadas observa-se o aumento exponencial de cursos à distância, principalmente graduações. Antes até na década de 1990, prisões norte-americanas onde seus detentos, para conseguirem a progressão de suas punições, faziam graduações a distância por correspondência[4]. Com advento da Internet e sua consolidação, não somente as graduações, mas pós-graduações - lato e stricto sensu - estão sendo disponibilizados em larga escala em quase todo o globo.

Toda a rede está acessível em qualquer lugar e a todo tempo sem se findar. Tecnologia wi-fi e pelas ondas de rádio tornaram muitas cidades com o adjetivo de "digitais", levando a informação a todos seus munícipes. A educação no Brasil em si possui métodos ultrapassados, além de seus docentes com má remuneração e desmotivados, juntamente com seus discentes. Neste quadro lamentável, surge a Internet oferecendo contribuições positivas (e também negativas) para o sistema educacional. A mesma Internet torna-se uma grande biblioteca. Na "grande nuvem" encontram-se livros inteiros para consulta, artigos cientificos, enciclopédias, coleções literárias, vídeos diversos de interesse educacional e uma enorme variedade de sites e blogs com os mais diversos conteúdos. Em um passado -não muito distante e com pouquíssimas publicações- atualmente tem-se milhões que coloca o problema em outro patamar: o excesso. Tirar proveito de toda essa disponibilidade corresponde em um desafio para os educadores atuais.

Mas, a grande importância neste breve ensaio pode ser vista nas novas modalidades de ensino a distância. Embora existam ainda muitas resistências e descréditos na aceitação deste modelo de ensino, é irrevogável que a educação a distância traz benefícios singulares para a educação como um todo, não somente para a modalidade referida Podemos cita estes benefícios como: a) o retorno de muitos alunos que haviam abandonado a escola por falta de tempo para os estudos; (b) A disponibilidade de cursos superiores a regiões remotas ou longíquas; c) baixo custo em comparação com as graduações tradicionais.

Conclui-se que a Internet possui várias contribuições, porém pode-se relacionar uma que é a negativa, que além do excesso de publicações já mencionado, tem-se também o mal uso da rede para outros objetivos, principalmente de ordem mercadológica.


[1]Exemplo disso foi CNS e a CIA dos Estados Unidos.

[2]Solidariedade orgânica, segundo Durkheim (pai da Sociologia).

[3]Países como Holanda que permite sites que fazem apologia às drogas e a Turquia que permite sites de pedofilia.

[4]Graduações como Filosofia, Ciências Sociais e Humanidades.

[1]Mundo bipolarizado pela União Soviética e Estados Unidos.