Ética e Moral segundo a concepção durkhemiana.

13/11/2018

Sabe-se que no campo da Ética, segmento da Filosofia, ocupa espaço de reflexão, e por questão puramente teleológica, e por que não dizer de instrumentalidade, se concebe material e imaterialmente os princípios em que se baseia o comportamento moral do homem. A origem do próprio verbete da palavra Ética provindo do grego ethos, que significa modo de ser, enquanto a palavra moral, em latim mores, ou seja, costume. Embora tais termos são praticamente sinônimos e são adotados em diversas ocasiões. Contudo, sabe-se que há a necessidade de estabelecer uma diferença entre os dois termos. Sabe-se que enquanto a moral é um grupo seleto de normas de conduta tidas como válidas de acordo com determinado tempo e lugar, a Ética em si é a disciplina filosófica a partir da qual se refletirá sobre a moral, constituída e praticada por gerações. Na alusão das Ciências Sociais, formatador de culturas e identidades, a categoria durkhemiana denominada solidariedade, como categoria sociológica, a moral, bem como o conjunto de práticas das normas pré-estabelecidas por gerações, sofrem as devidas influências de diversas culturas e saberes.

A solidariedade (orgânica e mecânica) não explicam totalmente sobre os dois termos aqui discutidos, porém fazem parte não só de seus conceitos, mas materializam as normas estabelecidas pela moral. Porém, a formação ética não pode ser ensinada, e sim refletida em seus significados e práticas sociais. Mas antes de explicar a compreensão e a inter-relação entre os conceitos filosóficos e as visões mercadológica e funcionalista, deve-se mencionar que o homem, como sujeito social, se constitui na contemporaneidade como um indivíduo prático, devido à rapidez dos fatos por conta do incremento tecnológico. O ato de pensar e refletir não constituem em um equívoco ou um retardo das ações a serem realizadas, o mesmo é necessário para a devida ação teleológica dos atos e o resultados de suas conseqüências, ou seja, o pragmatismo dá o lugar a práxis (a prática pensada teleológica em si). A visão funcionalista da Ética, determinada e materializada pela disciplina presente em cursos de graduação como Deontologia, que configura os inúmeros códigos de ética e de normais para o exercício profissional de várias profissões, mas o campo ético vai muito mais que além disso. Um exemplo deste aspecto são as configurações de certos costumes, como o ato de fumar ou a cultura do ato de se alimentar em diferentes territórios ou culturas. No contexto brasileiro, a norma coloca o hábito de fumar como ato não solidário e não individual, que agride não só o fumante, mas aqueles que não fumam. O ato de fumar tornou-se algo tão privado e condenável por grande parte da sociabilidade brasileira, que as políticas públicas de saúde promovem muito mais ações para a diminuição gradativa da população fumante, que das ações que tratam as doenças acarretadas pelo ato de fumar como DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica); na visão mercadológica, mesmo com os preços elevados por conta dos impostos, o ato do tabagismo, embora um exercício privado e não solidário, o mercado do cigarro se constituiu como consumo de alto valor agregado. Países como a Turquia e Argentina, o tabagismo não se constitui em um ato tão privado, e as políticas públicas de saúde incidem as suas ações mais nas conseqüências que nas causas. No contexto argentino são difundidas propagandas na mídia oferecendo serviços para o tratamento da DPOC, algo que seria altamente condenável no Brasil. Em síntese a cultura também é algo que não pode ser desprezado no estudo sobre a Ética. Exemplificando o ato de alimentar, em que o horário de intervalo para o almoço é extendido nos países hispano-americanos, onde a concepção do "aqui e agora" não conseguiu ter a verdadeira amálgama como no contexto brasileiro, com um mercado mais globalizado e mais adequado aos padrões dos mantenedores da nova ordem mundial. A "la siesta" é essencial para um bom exercício laboral dos trabalhadores hispânicos, protegidos pelo costume e pela lei. O que se reflete na concepção de trabalho para esta população em comparação aos brasileiros (algo a ser discutido em outra oportunidade, se houver).

Valores como afeição, repulsa, altruísmo e egoísmo não são concebidos e materializados apenas pelo simples contato com pessoas (des)honestas. Vive-se cada vez mais em um do mundo "DO AGORA", o imediato é a essência da vida que pede respostas rápidas, objetivas e inteiramente úteis. E a utilidade vem sob o lastro da concepção funcionalista, mas, mesmo tal concepção não desprezar a temporalidade das coisas e dos fatos. O 'tempo apressado' vem muito mais sob um lastro do irracionalismo que do funcionalismo, ou seja, o imediatismo vem da própria desconstrução da razão moderna dando o lugar à polifonia do pós-modernismo. O exercício do pensar separado da ação, que nasceu de uma concepção fayol-taylorista cuja execução se separa do ato de planejar (pensar), com a perda da centralidade do trabalho e em nome da nova ordem mundial que se divide em mantenedores (países centrais e de capitalismo clássico) e repositores (países periféricos e de capitalismo tardio, que repõem força de trabalho e commodities), o pragmatismo torna-se a essência balizar que mantêm o mundo moderno. Tais fatos e coisas incidem sob o campo ético, bem como seus valores morais e suas virtudes éticas.

Tanto na concepção socrática como aristotélica, para se discutir a práxis em detrimento do pragmatismo, há uma diferenciação entre os saberes teorético e prático. O saber teorético se constitui como conhecimento de seres e fatos que existem e agem independentemente de nós e sem nossa intervenção ou interferência. A Natureza é o exemplo máximo disto. O saber prático, resumidamente e segundo Chauí (2000) é o conhecimento daquilo que só existe como conseqüência da ação humana, ou seja, depende da ação teleológica do homem, como criador e produtor. O saber prático, distingui-se do pragmatismo, e tem como sinônimo a práxis. Então, sem a ação teológica, sem a práxis em si, não há como se configurar um valor ético.