Evolução histórica sobre turismo em LUMIAR.

10/12/2018

Resumo

Mesmo com poucos arquivos e artigos conhecidos sobre o tema, o tema proposto possui o objetivo de se fazer um resgate histórico com este breve trabalho, que destina-se a desvelar a evolução histórica recente do turismo no 5º distrito do município de Nova Friburgo, denominado de Lumiar, fundada no segundo decênio do século XIX, logo após a vinda da família real portuguesa para o Brasil. Conformada, primeiramente por imigrantes suíços e alemães, viveu da agricultura de subsistência até meados de 1970, onde o turismo surge como principal atividade socioeconômica impulsionada pelos "hippies", com advento do ecoturismo, facilitada pelo asfaltamento da estrada Mury - Casimiro de Abreu (RJ 142), que não contemplou uma parcela significativa dos moradores e comerciantes da região que objetivaram a construção de uma Estrada- parque conforme a Carta de Lumiar.

Palavras-chave: Lumiar, turismo, história, Ecoestrada, ecoturismo, RJ 142.

Introdução

Descreve-se neste artigo a breve evolução turística da localidade de Lumiar, que se constitui no 5º distrito do município de Nova Friburgo/RJ, que se localiza na região serrana do estado, entre as Serras "dos Órgãos" e "Macaé de Cima", com uma diversidade ainda preservada da fauna e flora da Mata Atlântica, cortada pelo Rio Macaé, onde atualmente há muitas práticas de rafting, canoagem e cachoerismo, que constituem em esportes abarcados do ecoturismo local. Até os meados da década de 1990, se chegava por estrada de chão, sem asfalto, onde a prática de turismo local foi impulsionada por comunidades de "hippies" e naturalistas, que buscavam as belezas naturais da região, além do clima ameno, superúmido e agradável (MARTIN, 1995; SIAINES, 2014).

Antes, desde a sua fundação no segundo decênio do século XIX com a chegada de imigrantes das margens do rio Macaé e seus afluentes na Serra de Macaé de Cima. Lumiar constituía nos seus primórdios em uma fazenda do nobre francês Felipe de Roure, que deu este nome em homenagem à vila em que nasceu sua esposa Michaella d'Abreu, no Reino de Portugal, antes invadido por tropas napoleônicas nos idos de 1808 (SIAINES, 2014).

Com o advento do turismo ecológico e rural, impulsionado pelos "hippies", nos anos de 1990 a localidade experimenta melhorias urbanísticas e melhoramentos de equipamentos públicos como praças, calçamentos e novas redes de esgotos e de águas pluviais. Porém, com o asfaltamento da RJ 142 Serramar, permitindo interligar com a BR 101, chegando com mais facilidade à região Litorânea, via Rio das Ostras. Esse percurso ecológico passa por três rodovias estaduais que se inicia em Teresópolis, passando pela sede de Nova Friburgo, Mury, Lumiar, São Pedro da Serra e segue até Casimiro de Abreu. No alto de Macaé de Cima, a região serrana é contemplada pela estrada, que passa por montanhas de clima europeu e rios de águas cristalinas, que tem como destino final as águas do mar da Região dos Lagos, impulsionando e interligando vários espaços turísticos diferentes do Estado do rio de Janeiro. Mas segundo a Carta de Lumiar, redigida pelas lideranças comunitárias de Macaé de Cima em 2002, o asfaltamento não seguiu as recomendações exigidas, sem uma das mais importantes defendia a construção de uma Estrada-Parque, que integrasse ecoturismo, serviços e turismo rural ao longo do percurso com o apoio do DER[i] e do INEA[ii].

Referencial Teórico

Sabe-se que há poucas e escassas publicações sobre o tema proposto, onde a principal e única publicação constitui no livro independente do jornalista Maurício Siaines, "Aqui, Lumiar: Memória e vida social em vozes locais", onde a história da localidade é contada pelos moradores mais antigos. Muitos depoimentos foram unânimes que o turismo teve aspectos positivos e negativos.

Antes dessa atividade socioeconômica, em seus primórdios, a ocupação primária de imigrantes suíços e alemães se deu na porção norte da margem do Rio Macaé, onde procuravam terras melhores para a prática da agricultura do café e de subsistência. Em meados do século XIX, grande parte dos imigrantes alemães fundou outro distrito vizinho denominado São Pedro da Serra, a 4 km serra acima. No início do século XX, imigrantes de origem ibérica - grande parte portugueses - e demais migrantes de outras localidades do estado começam a ocupar a porção sul do Rio Macaé, onde a principal atividade econômica, além da agricultura de subsistência, era a prestação de serviços na colheita de café nos sítios e fazendas que se localizavam na margem norte do Macaé. A esta margem sul se constituía em um vale, que é chamado até hoje de "Vale dos Peões"(CAPDEVILLE, 2002; SIAINES, 2014).

O caldo cultural que mistura elementos ibéricos e germânicos conformou a localidade lumiarense, que teve aspectos positivos com o advento do turismo como principal atividade econômica como: a acessibilidade com o asfaltamento da rodovia RJ 142, as melhorias urbanas e dos equipamentos públicos, o aumento da rede hoteleira e de serviços básicos para a população local. Os aspectos negativos são elencados principalmente em relação ao não cumprimento das sugestões e providências pedidas pelas lideranças comunitárias da região da serra de Macaé de Cima através da "Carta de Lumiar". Segundo Martins (1995), tal carta possuía o objetivo primário de atender apenas as reivindicações dos moradores de Lumiar, no que consistia no asfaltamento apenas da parte da rodovia que ligava o distrito à sede do município, além das melhorias de serviços e dos equipamentos públicos. Em 2000, Junqueira (2007) coloca que a carta abarcou e se ampliou atendendo as demandas dos moradores das localidades que constituem a Serra Macaé de Cima, em que, além de pleitear uma maior presença dos municípios em seus distritos[iii], tinha a demanda de que tanto o Estado quanto os municípios construíssem uma Estrada-Parque que integrasse as diversas atividades turísticas[iv], com planejamento urbano das comunidades e uma melhor fiscalização e preservação ao longo do rio Macaé, da nascente a sua foz. O principal aspecto negativo, segundo Junqueira (2007) é a ocupação desordenada ao longo da margem sul do rio Macaé em Lumiar, que provoca certos assoreamentos, além da especulação imobiliária crescente (MARTINS et al, 2013).

Considerações Finais

Em síntese, ainda o potencial turístico de Lumiar e adjacências possuem arestas a serem aparadas quanto ao quesito da preservação ambiental, que constitui em um patrimônio material que dá toda a sustentabilidade e estrutura para tal atividade econômica. O assoreamento do rio Macaé na localidade tem sido pauta de debates entre as lideranças comunitárias e o INEA, cuja cerne para tal questão seja a especulação imobiliária alimentadas por pessoas descomprometidas com os anseios da comunidade como todo e pelo aumento populacional crescente, que desde 1990, aumentou em 80%, devido à procura de melhores condições de vida e de sociabilidade não disponíveis nos grandes centros. Desde 2012, houve varias reuniões com lideranças comunitárias e muitas estão constituindo "bureaus", que se constituem em uma equipe especializada com os próprios membros das comunidades que planejam ações que potencializam e integram as atividades turísticas da região de Macaé de Cima; apenas Lumiar, São Pedro da Serra e Sana (Macaé) possuem tais equipes, ainda em estágio de formação.

Referências Bibliográficas

CAPDEVILLE, Maria do Carmo Nader. Conhecendo Nova Friburgo. Imagem Virtual editora. Nova Friburgo/RJ, 2002. 80 pág.

JUNQUEIRA, Eduardo. Serras de Macaé: Trilhas, Caminhos e Paisagens. 1ª ed. Arte Ensaio editora. Macaé/RJ. 2007, 170 pág.

MARTINS, Nicoulin. A Gênese de Nova Friburgo: Emigração e Colonização Suíça no Brasil. Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, 1995.

MARTINS, Rodrigo Lemes et al. Recuperação de matas ciliares do rio Macaé: um cuidado com a água. 1ª ed. NUPEM/UFRJ. Rio de Janeiro, 2013 . 200 pág.

MIRANDA, Arnaldo Luis; MIRANDA, Girlam. A caminhada de uma cidade livre: resumo histórico da formação e desenvolvimento de Nova Friburgo. 1ª ed. Girlam Editores. N. Friburgo/RJ. 2008, 128 pág.

SIAINES, Maurício. Aqui, Lumiar: memória e vida social em vozes locais. 1ª ed. Edição do autor: Maurício de Almeida Siaines de Castro,Nova Friburgo/RJ, 2014. 169 pág.


[i] Departamento de Estradas e Rodagens do Estado do Rio de Janeiro.

[ii] Instituto Estadual do Ambiente.

[iii] São distritos de Nova Friburgo (Rio Bonito de Cima, Galdinópolis, Macaé de Cima, Santa Luzia, Lumiar, Boa Esperança, Benfica, Bocaína, São Pedro da Serra, Cascata) e de Macaé (Sana).

[iv] Rio Bonito de Cima (Festa do Inhame), Galdinópolis e Macaé de Cima (turismo rural), Lumiar (Artesanatos e ecoturismo), São Pedro da Serra (Ecoturismo e turismo rural) e Sana (Turismo gastronômico, artesanatos e ecoturiasmo).