Linha Gerais do Difusionismo

01/12/2018

             Difusionismo, é a teoria que trata do desenvolvimento de culturas e tecnologias, particularmente na história antiga, também conhecida como historicismo, engloba várias tendências da antropologia cultural. Seu início deu-se no século XX entre 1901 a 1930 (este período denominado por Paul Marcier como período das descobertas) sobressaem o difusionismo inglês, a escola de Viena e a escola americana.

Seu objetivo era ir de encontro, contra a orientação evolucionista dominante na etnologia desde seu nascimento. Esta reação não atingirá apenas a orientação, mas também os procedimentos metodológicos, isto, contudo não significa rejeitar completamente os conceitos básicos constituídos e construídos pela corrente evolucionista. A base comum entre o evolucionismo e o difusionismo é de explicar a cultura como fenômeno universal e humano através da variável. Uma coisa deve ficar clara, que eram pontos comuns e pontos de divergências e entre um e outro.

Stark bate numa tecla importantíssima, para compreensão tanto do evolucionismo como do difusionismo. O evolucionismo dá relevo ao fenômeno da invenção e o difusionismo ao fenômeno da difusão e dos contatos entre os povos. Ambos acreditam que a compreensão do fenômeno cultural repousa sobre o seu caráter dinâmico.

O que caracterizou o difusionismo em geral, foi a preocupação de tornar os métodos da antropologia mais rigorosos e mais científicos, levando a desenvolver a pesquisa de campo com intensidade considerável.

De outro modo este período, é o período da Etnografia (ciência que estuda os povos, suas origens, suas línguas, religiões, costumes e etc.). Com isso os antropólogos terem partido para coleta de dados no campo com todo empenho. Alguns chegaram a dizer que havia urgência em coletar estas informações sobre os povos primitivos, antes que os mesmos desaparecessem ou fossem atingidos pela civilização. Esta mudança de tática levou a antropologia cultural a desenvolver várias técnicas de pesquisas, com este contato direto levou alguns antropólogos a aprender vários idiomas antes desconhecidos. Este fato por sua vez veio favorecer outro ramo da antropologia cultural, a lingüística. Com isso veio convencer seus defensores da necessidade de mudar o próprio sentido ou foco de estudo.

Difusionismo Inglês

Essa escola de orientação historicista, na história da antropologia, foi a última a aparecer no cenário antropológico e a primeira a sair, apesar de suas polêmicas terem sido bastante calorosas como nenhuma outra na história da Antropologia.

Sendo como fundador o inglês Grafton Elliot Smith, que no início era um simples anatomista que estudava os cérebros das múmias, teve contato com vestígios da antiga cultura egípcia, criando assim um grande entusiasmo pela cultura daquele povo, começando a perceber os traços culturais semelhantes aos da cultura egípcia antiga, e outras civilizações. Quando esta escola verificou como era difícil a inovação ou criação de novos valores culturais ela passou a defender a difusão como principal motor de dinâmica cultural.

Apesar de ter sido o fundador desta escola, não foi Smith quem expôs esta teoria, conhecida como teoria heliolítica ou pan-egípcia, foi Perry quem expôs no seu livro, a tese central desta teoria, segundo ele a cultura de todo o mundo moderno era praticamente a mesma, por conta do difusionismo, que ficou conhecido por seu método científico e pelas suas especulações.

Os defensores desta teoria se esqueceram da exatidão cronológica dos acontecimentos, assim como da impossibilidade de suas afirmações considerando a precariedade dos meios de comunicações da época. O radicalismo também é demonstrado por Smitih, para ele uma coisa é admitir a difusão e outra é considerá-lo uma única explicação das semelhanças entre culturas distintas, ele não acha que a importância da difusão cultural depende da evolução dos meios de comunicações, pelo contrário, quanto mais rústicos a dinâmica cultural se sobressai.

Difusionismo Alemão

Conhecida como "Escola Histórico - Cultural" ou ainda como "Escola de Viena". Graebner, um de seus fundadores considerava como objetivo principal desse método, a determinação histórica das combinações de elementos básicos denominados Kulturkreise chamado em outras línguas de "complexo de cultura" ou "círculo de cultura" é um conjunto de traços associados com um único sentido que podem ser identificados na história da cultura

O propósito desta escola, foi escrito em 1973, que o que distingue o difusionismo alemão do inglês, é precisamente o procedimento metodológico da utilização de informações seguras. A maior contribuição desta escola para antropologia em geral foi de cunho metodológico ao contrário da escola anterior, que não se contentaram em identificar semelhanças culturais em duas culturas particulares e daí concluiu ter havido difusão necessariamente. Foram essas críticas que levou Graebner a criar alguns critérios de análise, esses critérios são básicos em todos os estudos de transmissão de cultura, quanto maior forem às semelhanças, maiores serão as probabilidades de ter havido empréstimos. Outra grande contribuição desta escola foi o chamado critério de forma inadequada, é o critério que consiste em dá mais importância aos traços culturais menos importantes ou indispensáveis. Vale lembrar que com esta escola começaram os estudos de campo, as pesquisas empíricas e também os estudos ecológicos.

Existem pontos que aproximam esta escola do evolucionismo, estando em 1º lugar o objeto de estudo que continua sendo a cultura universal. Os problemas mais discutidos são: o paralelismo, convergência, origens do fenômeno cultural e existência de sobrevivência. Em 2º lugar os difusionistas europeus ainda continuam presos as pesquisas de gabinete assim como os seus colegas evolucionistas. Em 3º lugar tanto o funcionalismo quanto o difusionismo europeu, traziam a marca da denominada antropologia colonial.

Às vezes se tem a impressão de que o fenômeno do etnocentrismo inexiste nos povos de colonização européia e é sempre discutido se há ou não uma cultura brasileira... Conhecendo o processo da colonização pelo qual passamos, sentindo as marcas profundas que deixou a cultura nacional brasileira, por isso entendemos, porque alguns de nós temos vergonha de ser brasileiro. Nosso pensamento é europeu e nossos padrões também. O Brasil costuma copiar, assim os intelectuais só são bons quando formado "fora", no exterior. O Brasil é todo extrovertido, faltar-lhe consciência e identidade, trata-se apenas de uma visão crítica que procura ver não apenas a história dita, e sim a não dita também. O mais importante é, que cada um siga a sua cultura do seu jeito.

A cultura humana externa seria construída de forças que agem de fora sob o homem e interna, das forças que ele próprio exerce.

Escola Americana ou Difusionismo Americano

Franz Boas foi o principal mentor do difusionismo na versão Americana. Essas escolas talvez tivessem como principal característica, de delimitação do campo de estudo da antropologia. Segundo seus seguidores a, cultura é complexa, pois não autoriza um levantamento, histórico completo a caráter universal, essa foi uma das razões que levaram a estudar as áreas delimitadas e de preferência pequenas, para eles eram mais fácil e seguro o estudo histórico cultural.

A propriedade dessa escola foi dada aos estudos e pesquisa de campo, com delimitação do estudo antropológico realizado pela escola americana, transformando cada povo primitivo (tribo, clã ou federação), em unidade de estudo teve como resposta a criação de temas mais amplos de estudo. Essa escola foi a que mais contribuiu para a teoria da antropologia, referindo-se a produção de pesquisa de campo e a soma de material coletado.

Muitos foram os seguidores de Franz Boas, cada um seguiu o seu campo determinado, sem desprezar o ensinamento do mestre, seguiram os campos de domínio lingüístico, outros penetraram nos estudos de cultura e personalidade e mais outros no domínio da antropologia da arte e das formas. A área cultural, o estudo de enfoque principal era o estudo das relações entre o meio e a cultura.

Numa tentativa de avaliação desta escola, houve várias críticas de que o caráter descritivo de que ela se revestiu, chegando a transformar a etnologia em etnografia. À vontade com que os seguidores desta escola se aprofundaram nas pesquisas de campo para ter sua explicação numa preocupação exagerada por registrar tudo que fosse possível, antes que estes viessem desaparecer, ao contato com a civilização dando razão ao professor "Costa Pinto", quando ele identifica distorções no ensino antropológico no Brasil e na sua aplicação, aos problemas nacionais, ele achava que os alunos brincavam de antropólogos, nos estudos de comunidades e que a antropologia acadêmica das universidades não oferecia campos de estágio para todas as disciplinas dos cursos de ciências sociais, por falta de um apoio financeiro, impossibilitando a preparação para o desempenho de uma profissão.

O problema não era da Antropologia, mas sim da própria Universidade, que deve unir a sua tarefa de transmitir conhecimento à outra fundamental, produzir ciência, conhecimento. Só assim seria possível uma adaptação e uma construção científica para nossas necessidades.

Configuracionismo

A antropologia desenvolveu escolas de pensamentos, que interpretam a cultura sob diferentes aspectos. O configuracionismo identifica a cultura como uma rede quase infinita de significados, com destaques a alguns que determinam o tom da cultura, dos quais os demais elementos são derivados ou mantém relação de dependência. Uma configuração de todos os princípios.

Na cultura, exige um todo harmonioso, uma configuração, um gênio, um estilo de ser que dirige e conforma o comportamento de todos os membros desta cultura. A cultura pode ser classificada em dois tipos principais:

Tipo apolíneo: corresponde àquelas culturas extrovertidas, acentuando formas externas de comportamento, ritualistas, conformistas, desconfiadas do individualismo, evitando excessos.

Tipo dionisíaco: corresponde a culturas introvertidas, intensamente individualistas, agressivas, apreciadoras da experiência violenta, motivadas mais pelo individuo do que pelo grupo.