Resumo da Introdução da História da Alimentação de Câmara Cascudo.

03/12/2018

CASCUDO, Luís da Câmara. Introdução. In: ____________História da Alimentação no Brasil. Luís da Câmara Cascudo. Global, 2004.

A reedição da bibliografia História da Alimentação no Brasil, de Luís da Câmara Cascudo, nos trouxe de volta o pioneirismo sobre a temática da conformação de cultura culinária e alimentar brasileira. Formata-se em um tratado de análises das práticas alimentares de povos diversos, caminhando do universal para a particularidade brasileira e sua formação desde os primórdios.

Quanto ao cunho universal, Cascudo (2004) nos mostra as mais diversas práticas e culturas gastronômicas dos mais diversos povos estranhos à cultura brasileira, não esquecendo os cerimoniais, os significados dos nomes dos mais diversos alimentos e como os mesmos foram se conformando (tomando forma) ao longo da história da humanidade.

Iniciando o conteúdo de seu livro (História da alimentação no Brasil), Cascudo (2004) afirma, com todo seu conhecimento interdisciplinar, que "toda a existência humana decorre do binômio Estômago e Sexo" (p.18); E, para fundamentar seu ponto de vista, o mesmo autor invoca alguns autores para alcançar a prova que o estômago é muito mais importante do que o sexo, e como é simplesmente incontestável a supremacia do exercício do paladar ao orgasmo físico. Demonstra, em seguida, como o estômago exige do seu humano a sua alimentação logo após as suas primeiras horas de vida extra-uterina, enquanto o sexo espera até a chegada da puberdade adolescente para se tornar algo necessário no desenvolvimento fisiológico do homem e da mulher. Acrescente, ainda assim, que, depois de adulto, o homem continua a necessitar do exercício alimentar três vezes por dia, o que não ocorre com o sexo.

Continuando, Cascudo (2004) se fundamenta no testemunho dos gregos, segundo os quais "a fome faz cessar o amor" (p.23). A problemática da alimentação é assunto cheio de ecletismos e de natureza interdisciplinar, prestando-se às mais variadas indagações e questionamentos. Da dietética até a fome, da necessidade ao prazer do paladar, a alimentação - bem como seu exercício diário necessário - torna-se um problema sócio-econômico-geográfico (além de cultural) já estudado por diversos autores.

A alimentação, no que se constitui em suas tipologias e práticas, é largamente consumida em determinados países e que não é usada em outras partes do mundo por não participar dos hábitos culinários de seus habitantes.

O estranhamento - como os prazeres sexuais mais obscuros - ao exercício do paladar perante hábitos alimentares diferentes da nossa prática cultural, conformada à necessidade econômica e geográfica.

Pontos importantes chamam à atenção do texto introdutório de Cascudo (2004): a aceitação e a recusa do porco na alimentação da humanidade ao longo de sua história e cronologia (p.24); a mística negativa da carne de gado (p.24-25); o pão e o leite (p. 25-27); o queijo e sua origem na domesticação dos animais (p. 27-28); o forno que livrou o homem da vigilância no preparo do alimento (p.44); a cocção oriunda ao advento da cerâmica (p. 45); a comida quente é aquela que possui 'sustança' (p. 47); o principio dos caldos e das sopas (p.48-49); o exercício solitário e de gênero do paladar (p.55); o elemento cerimonial na prática alimentar (p.61); as práticas alimentares 'estranhas' do Brasil (p. 63); e a mística da antropofagia (p.67).