Série Ciganos - Parte I: Políticas Anticiganas na História.

03/01/2019

Na história sempre temos exemplos de perseguição e políticas anticiganas, e neste post irei mencionar algumas delas:

A população gadjé (não-cigana), durante séculos e séculos, tem adotada as seguintes políticas anticiganas, formas de perseguição e segregação:

  1. Escravidão: No século XIV na Valáquia e Moldávia (atuais regiões da Romênia), onde foi abolida somente na segunda metade do Século XIX. Também em outros países, como nos países ibéricos, em algumas épocas, a população cigana  podia ser escravizada ou está em forma de servidão. Na Alemanha nazista, muitos ciganos morreram em campos de trabalho forçado, principalmente nos campos industriais da morte de Buna - Monovitz.
  2. Prisão, Castigos e Trabalhos Forçados: Atenção os países ibéricos a condenação às galés no Império Romano, para serem remadores nestas antigas embarcações de guerra movidas a remo. Ainda hoje os ciganos costumam ser presos por qualquer pequeno delito, ou até apenas por serem suspeitos pelo simples fato de serem apenas, ciganos. Em prisões norte-americanas nos Estados do Sul, muitos descendentes de ciganos são a força motriz de trabalho servil prisional.
  3. Degredo e deportação: deslocamento de populações ciganas inteiras para cidades, países ou até continentes, inclusive de Portugal para o Brasil no século XVI, onde o porto de São Luis do Maranhão era considerado o pior degredo régio sentenciado. Esta política anticigana continua existindo em praticamente todo mundo, inclusive na Europa atual. 
  4. Isolamento: muitas vezes a sociedade gadjé (não-cigana) cria mecanismos de manutenção de fronteiras para isolar a minoria cigana em áreas especialmente para ela reservadas, confinando-a longe do convívio dos membros do grupo majoritário, em bairros ou ruas especiais para ciganos, como as "Gitannerias‟ em Sevilha, na Espanha. Em muitos países os ciganos são hoje obrigados a morarem em sítios ou acampamentos fixos, quase sempre localizados na periferia de centros urbanos. 
  5. Integração ou pluralismo social: A definição de integração é colocada como "oportunidade igual acompanhada de diversidade cultural numa atmosfera de tolerância totalmente mútua". É uma política mais recente em vários países europeus, quando a maioria gadjé aceita, pelo menos em teoria, as diferenças da minoria cigana quanto à aparência física, origem, religião, língua, costumes, etc. Na prática sempre surgem problemas, porque os valores culturais de ambos os grupos costumam ser conflitantes, quando não completamente incompatíveis, e neste caso a maioria tentará impor os seus próprios valores; casos idênticos ocorrem às minoras muçulmanas nas grandes cidades européias.
  6. Assimilação compulsória ou etnocídio: Os gadjés (não-ciganos) exigem a incorporação dos ciganos na sociedade majoritária como parte indistinguível dela, exigem a absorção da minoria pela sociedade dominante, com a eliminação das diferenças culturais, se necessário à força, proibindo-se a minoria de viver de acordo com sua própria cultura e seus próprios valores culturais. O que ocorre na Hungria atualmente.
  7. Extermínio físico ou genocídio: Aconteceu com os ciganos na Holanda, em meados do Século XVIII, e mais recentemente na Alemanha nazista, durante a II Grande Guerra Mundial, embora só o holocausto judeu costume ser lembrado pelos meios de comunicação, pelo que poucas pessoas sabem que também foram massacrados cerca de 250 a 500 mil ciganos, ou nos chuveiros ou nos campos de trabalho forçado. A este extermínio, os ciganos denominam de "Porrajmos", que significa "Devorar". Uma outra forma de genocídio é a esterilização compulsória, principalmente em mulheres ciganas.

Fonte: Anticiganismos (Frans Moonen - 2011) e CERCI (Itália)