Sociologia aplicada ao Turismo

11/12/2018

A tríade sociológica aplicada ao Turismo.

Durkheim, Marx e Weber.

Antes de iniciar este breve ensaio, deve-se colocar a importância da Sociologia como Ciência que surge na modernidade e que possui uma inter-relação com a atuação profissional do Turismo, sendo uma prática social que têm na sua cerne o trânsito de pessoas, que podem ou não ter a relação com outros hábitos, comportamentos, enfim, aquilo que constitui em um espaço não formal de educação que possui a relação com o desconhecido. Além de levar a formação de novos profissionais capazes de compreender e atuar de forma responsável no tecido social que se insere. Neste texto, observa-se os conceitos das três principais matrizes sociológicas: Durkheim, Weber e Marx.

Émile Durkheim, entre os séculos XIX e XX, constituiu a Sociologia como ciência, tendo como seu objeto de estudo e análise os fatos sociais. Diferente de Auguste Comte e Spencer que consideram os fatos sociais como fatos naturais, a perspectiva durkhemiana coloca que tais fatos sociais não eram apenas "coisas" e sim conceitos materializados em idéias, abstrações,e até realidades exteriores passíveis de serem observadas por um método científico. O objeto durkhemiano de análise e estudo - fatos sociais em si - podem ser concebidos como formas e maneiras de agir, pensar e sentir, que podem coexistir de maneira independente das consciências individuais, ou seja, possui uma relação de exterioridade com tais indivíduos. Durkheim, em seu método científico, definiu a especificidade dos fatos sociais através de três aspectos: a Coerção (regras da sociedade em que se inserem); Exterioridade (costumes e leis); e a Generalidade (fato social que se repete na maior parte dos indivíduos). Mas, além da caracterização do objeto de estudo, Durkheim propõe seu método que consiste em quatro regras básicas: 1º - Consiste em tratar os fatos sociais como realidades ligadas a exterioridade dos indivíduos, passiveis de observações, descrição e comparações; 2º - estabelece uma certa neutralidade ao cientista (sociólogo), despindo -o de pré-noções e conceitos pré-concebidos; 3º - fenômenos que possuem um comportamento generalista, ou seja, que ocorra como uma prática convencional; 4º - distinguir os fenômenos coletivos e gerais dos fenômenos subjetivos e individuais.

Outros conceitos durkhemianos de grande monta precisam ser mencionados como a divisão social do trabalho e a anomia. Lembrando que a divisão social do trabalho - que é a estrutura da sociedade moderna capitalista - pode ser melhor compreendida pela solidariedade orgânica, em que um costume ou lei que antecede até aos próprios homens, determina o modo de ser e agir. A anomia, em síntese, seria um aspecto "ruína" deste tecido social como a violência, o suicídio, a desagregação social, entre outros.

Seguindo adiante, vê-se a perspectiva weberiana que lança a Sociologia Compreensiva; entende-se como ciência que pretende interpretar e entender a ação social, que constitui-se como objeto de estudo. A ação social é forma humana de pensar e agir dotada de sentidos e objetivos, que precisam ser motivados individualmente. Weber coloca que a analise sociológica compreensiva não está centrada nas entidades coletivas como as instituições, mas sim na ação social dos indivíduos, e que está relação com o coletivo é de natureza interdependente.

A perspectiva marxiana (ou marxista) coloca a Sociologia balizada no materialismo histórico-dialético, que possui a sua estrutura na realidade societária do tecido social capitalista concebidas na luta de classes e no modo de produção e acumulação. O objeto de estudo na perspectiva de Marx é a luta de classes, concebida não só na desigualdade social, mas na apropriação de trabalho alheio da classe trabalhadora corporificada pela mais valia. Entende-se a "mais valia" como a parte - que antecede o lucro, insumos, despesas e salarios - das horas laboradas pelo trabalhador, que são expropriadas por aqueles que são detentores dos meios de produção; o dono do Capital em si.

Uma breve crítica deve ser feita - comparando-se as três principais matrizes já mencionadas - além de relacionar alguns conceitos com o exercício do Turismo. Na perspectiva de Marx, a concepção do materialismo histórico é essencial para entender e compreender a complexidade do exercício da pratica do Turismo, pois depende de condições políticas, sócio-históricas, culturais e econômicas particulares de cada território. E que este exercício pode ser tanto produtivo como destrutivo.

Na perspectiva weberiana, a ação social vinculada a prática do Turismo pode ser visualizada a escolha de uma viagem com preços mais atrativos, com melhores hospedagens, facilidades em acesso de transporte e outros serviços que facilitam o descobrimento do desconhecido aliado ao lazer. Durkheim, em todos seus conceitos, vislumbra-se a anomia como algo que pode caracterizar como exercício destrutivo a prática do Turismo. Relacionando de duas maneiras para exemplificar: endógeno, quando a prática do Turismo auxilia na desagregação do tecido social de uma comunidade, ou por via predatória, destruindo o patrimônio material e imaterial de um território; exógeno, quando um determinado espaço turístico esteja desagregado socialmente por motivos outros que inviabilize a prática do Turismo, por motivo de violência, criminalidade, falta de infra-estrutura e sem mobilidade urbana.